Você devia ter ido ver.
Uma mulher amante de si mesma e de seus amantes e de seu senhor Rivera. Ultrajou próxima da estação Pinheiros, entre ruas de mulheres que de noite acendem luz vermelha, Leonora Carrington, Rosa Rolanda, Remedios Vario e María Izquierdo. Frida Kahlo trouxe essas mulheres pouco conhecidas. Teresa Arcq, a curadora, arrastou delas o que a maioria das mulheres compreendem ou não compreendem. Ou fingem-se, loucas! As cinco prudentes iluminaram um número pequeno e privilegiado de pessoas.
Fui uma das aclaradas, minha alma gabou. Apesar de padecida por uma boa companhia. Neste local elevado, alto julgado, meu desatino bafejou coisas esquisitas que não me fizeram mal. Surreal. É bom ser besta, às vezes. Sou uma cientista de descrições bestas. Li das entrelinhas doses mais macias, sendo eu besta, gaba e idealista.
Tinha bastante gente. Estudantes de mídia, publicidade, fotografia, linguística. Operários, assalariados, futuros artistas, pessoas comuns. Todas filhas e filhas de filhos da arte modernista. Estavam lá para ver Frida ser amada, amando, se estrebuchando de tanto amar.
Por acaso estive lá. Sou daquelas! rs Talvez eu tenha mesmo não conseguido entender Frida. Se você não foi, sinta-se feliz. Pois todos que adentraram ao Instituto Tomie Ohtake, quase uma religião para aqueles que sentem o sutil sopro divino que permite, saíram com um belo retrato de quem mais amam na testa. E como toda boa obra é pouco perceptível...
Você devia ter ido.
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