Não
Não recosta nessa poltrona. Um homem sem nenhum pudor ou por descuido peidou nela. Uma senhora gripada escarrou nela. Os gays transaram nela. Um casal apaixonado perdeu a virgindade aí.
Uma mulher hiperidrose banhou-a.
Não senta no chão. Tem gente que toma café, almoça e janta bem onde você assentou teu popô maneiro cheio de falta da ginga brasileira.
Não recosta à sua saudade, sua vontade, sua covardia. Há quem leia lá, durma ou espere por um outro alguém.
Arruma o restante.
Descanse numa poltrona onde não haja ninguém mais.
No entanto, sempre que estiveres a desanimar o batuque no peito que nem a Portela teve. E não conseguir entender. Deleite-se, chores, perca a razão.
Apoiar-se em um banco onde respira quem se respeita faz com que o assento não se mexa, mesmo mexendo com a alma da gente.
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