Por Waldir Troncoso Peres*


Tenho conversado muito com a mocidade acadêmica(...)

Há um drama. Há um imenso drama no mundo moderno. Moços que me ouvem. Que se chama medo. Que não se fale em timidez. Que não se fale em barreira do super ego e que não se de um colorido ou um batismo diverso daquele que é na sua expressão fundamental medo. Coexiste e convivem nos dias hodiernos. A violência institucionalizada que para mim até não é a mais importante. Com a violência social. Com a agressividade competitiva do mundo moderno. Com o descaso pelo próximo. Com o desamor senão com o ódio. Dentro de uma comunidade que não se contacta, que não se interpenetra e que se vê reciprocamente com rancor. Isto tem levado, se eu estou certo nas minhas observações, a nova geração a ter medo. O medo indefinível. O medo que está difuso no espírito. O medo que está esgarçado na mente, mas o medo que leva a mocidade a pensar assim: se eu fosse a guerra eu ganharia a guerra, mas como eu sei que eu ganho a guerra eu não vou a guerra. E então fica na inércia, na inação e então não faz, quando velada e inconscientemente, na verdade não faz. Tendo como inspiração e tendo como matriz o opressor e o medo. 

Que esse médico e psicólogo que foi gênio da humanidade e que morreu no Rio de Janeiro dirigindo o Centro de estudos Vocacionais. Getúlio Vargas este homem de saber notável que eu li e reli e que tive a fortuna de conhecer pessoalmente de ouvir palestras e participar com ele de debates.

O grande (...) dizia que o inimigo número um do homem é o medo. Um dos maiores mestres da Russia, quando já estava no seus derradeiros momentos de vida, chamou os seus discípulos e lhes disse: vocês tirem o sexo do centro da vida psicológica, Freud não tem razão, e coloquem no centro da vida psicológica do homem o medo porque ele é a força motriz desencadeante ou inibidora da ação. É o medo que abarca e que abrange todas as estruturas da alma toda a contextura do homem. Que disciplina a nossa conduta e nosso comportamento. Nos dias de hoje há como o que uma ideologia do medo até, mas deixemo-lá de lado para observar um outro aspecto do medo que é o medo social, que é o medo da crítica. Cada um vivendo e imaginando que o outro o está a julgá-lo e a julgá-lo mal fazendo com que as criaturas se inibem por um mecanismo de ordem psicológica. De tal maneira que eu vejo hoje um certo pauperismo, que me desculpem vocês se há um contingente de irreverência até na colocação. Eu vejo até um certo pauperismo na formação da personalidade da mocidade. Por lhe faltar a capacidade de existir com coragem. De existir sem medo. De lutar. De ter uma alto confiança muito grande. De ter dentro de si aquilo que os gregos diziam que é o deus interior, ou seja um entusiasmo. Há um negativismo e eu vejo até a mocidade dizer que a vida é um projeto inviável. 

Quero lhes dizer que um dia. Conversando com um contemporâneo de escola e com um amigo Ubirajara que eu tenho já. Ele que ficou no mundo empresarial distante do mundo da advocacia que fazia pergunta a respeito de um contemporâneo de escola e eu fui lhes referindo aqueles que tinham tido maior ou menor sucesso que tinham prosperado mais ou prosperado menos e se verificou então que os prognósticos eram totalmente diversos daqueles que remontavam ao tempo de academia e ele me perguntou, mas como pôde acontecer isto? Por que não vingou? Não prosperou? Não se fecundou na vida? Um moço tão brilhante, tão estudioso, tão sério, tão limpo, tão bom. E eu sem nenhum temor de errar dizia ao Ubirajara: ele foi tragado pela vida por uma razão porque ele foi um covarde e ele foi um medroso.

Mas vocês falando e vocês se expandindo. Vocês não estão apenas sendo capazes de nesta interação humana se entenderem melhor. Vocês estão libertando o espírito. Vocês estão matando o medo. Vocês estão criando uma maior capacidade de liderança.

Parem. Meditem. Observem. A humanidade é extremamente covarde. Eu não tenho nenhuma dúvida em afirmá-lo. De maneira que aquele que tiver a capacidade de romper esta barreira do medo, que é um fantasma inexistente, que é uma ficção do espírito, que é uma fabulação da alma e que não existe. Ele se está fortalecendo interiormente. Ele está conquistando maior capacidade de liderança. Ele pode ter um influxo maior no meio ambiental. Ele expande o seu espírito que não pode ficar contido dentro de ilídios e dentro de limites muito estreitos. É a fonte catártica. Purificadora da alma. É uma forma de robustecimento interior. Uma forma de na expressão sartriana existir. Repito, sob o tempo neste mundo muito hostil.

*Extraído de: CD de áudio. Livro: Como Falar Corretamente e Sem Inibições; Autor: Reinaldo Polito.

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